Projetos de Carbono: o que é viável, para quem e a partir de quando
Crédito de carbono é o tema do momento no agronegócio. Também é a área com mais promessas que não se sustentam na prática. Antes de qualquer decisão, é preciso entender o que é viável, para quem e em que prazo.
O cenário regulatório
O SBCE, Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, foi criado pela Lei 15.042/2024. Suas regras definitivas devem ser publicadas até o final de 2026 e a operação plena deve começar entre 2030 e 2031. A agricultura não é obrigada pelo SBCE; sua participação é voluntária.
Enquanto o sistema regulado não opera, o produtor rural atua no mercado voluntário, onde créditos são gerados, verificados e vendidos por iniciativa própria.
O que gera crédito de carbono no campo
Conservação e restauração de mata nativa (REDD+).
Sistemas agroflorestais e café sombreado.
Recuperação de pastagens degradadas.
Práticas de baixo carbono do Plano ABC.
A realidade de escala que precisa ser dita
O custo de certificação de um projeto no mercado voluntário, pelos padrões reconhecidos internacionalmente como Verra/VCS e Gold Standard, varia de dezenas a centenas de milhares de reais. Para um pequeno produtor individual, esse custo raramente fecha a conta: o volume de créditos gerados não cobre a certificação.
O que funciona são projetos coletivos, no nível de associações e cooperativas, onde a escala de área e de produtores viabiliza a certificação. Um projeto de 500 produtores com 20% de mata nativa cada tem volume para atrair certificadora e comprador. Para esses grupos, o carbono representa uma receita nova e recorrente sobre um ativo que já existe.
O pré-requisito que não tem atalho
A Lei 15.042/2024 vincula a titularidade do crédito à titularidade da terra. Sem regularidade fundiária e ambiental, não há projeto de carbono possível. Aqui, como em tudo, a regularização é o ponto de partida.
O que fazemos
Verificamos a elegibilidade da propriedade ou da associação, mapeamos as áreas com potencial e estruturamos a análise preliminar. A execução do projeto é feita em parceria com certificadoras e assessorias especializadas.
Carbono para o produtor rural isolado raramente fecha a conta. Para associações e cooperativas com escala, é uma oportunidade real — se a base estiver regularizada.
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